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Bazar Daqui

Este é o nosso bazar, a montra do “nosso” Portugal. A ideia é partilhar as nossas experiências nessa busca pelo ideal do “carpe diem” ao invés de ficar em casa a carpir.

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Passadiços do Paiva (12 de Março e 14 de Maio de 2016)

Em pouco mais de dois meses fomos duas vezes aos Passadiços do Paiva, na zona de Arouca.

Na primeira vez, em Março, fomos só os dois, num dos primeiros dias de sol a sério do ano. Num Inverno a prometer a Primavera. Agora, fomos com a C., num dia de Primavera, que prometia muita chuva, mais parecia um dia de Outono. 

A C. está a fazer a sua tese de doutoramento em Geologia; ora, ir a um geosítio com uma especialista deste calibre é, claramente, um privilégio. Aprendi mais sobre falhas, vi o que era um metaconglomerado e xisto mosqueado.  Vi uma dobra e aprendi como é que se formam as "marmitas de gigante" nas rochas do rio. Muito interessante, portanto.

Como da primeira vez fomos sem esta “guia” apenas usufruímos da paisagem, da natureza, completamente encantados com o espaço e com a obra do homem naquele meio tão bonito mas, antes, tão inacessível; tendo em conta que eu não me meto num kayak, se não fossem os Passadiços eu nunca teria a hipótese de conhecer aquele lugar tão bonito. Desta segunda vez, foi uma experiência mais de conhecimento técnico e de muita conversa.

Por causa da ameaça de chuva,  desta segunda vez, havia menos gente mas, ainda assim, os Passadiços são, claramente, a atracção do momento aqui pela zona. Hoje, como da primeira vez, vimos  uns quatro autocarros a deixar aventureiros. Famílias em carro próprio menos do que da primeira vez, mas, ainda assim, muita gente. Tanta gente que na primeira vez começámos o percurso ao mesmo tempo que um grupo grande de antigos bancários de Lisboa e desta vez fomos acompanhados por um grupo de professores de Viseu, por exemplo. E lá fomos, subindo as escadas em fila indiana, atrás deles, aproveitando algumas oportunidades para ir ultrapassando os mais lentos. No topo das escadas já tínhamos deixado os grupos para trás, tanto numa vez, como na outra.

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Verdade seja dita: os Passadiços do Paiva são o lugar mais democrático a que já fomos. Mesmo. Há velhinhos, há bebés, há metaleiros, há punks, desportistas, tias de Cascais que perfumam os passadiços durante 5 metros antes e depois de passarem por nós,  joanetes, muletas e bengalas, cunhas e saltos altos. Carrinhos de bebés, criançada de todas as idades, adolescentes, escuteiros, malta que fuma coisas esquisitas; há músculos e fundos de garrafa; podes lá encontrar a tua prima mais nova, a tua mãe ou a tua avó; toda a gente foi, quer ir e vai aos Passadiços. Desta vez, uma senhora que podia ser minha avó, ainda nem ia a meio e, quando se cruzou comigo, perguntou se ainda faltava muito, que precisava saber porque tinha sido operada há dois meses à perna direita (ou seria a esquerda?) e não sabia se ia aguentar.

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Apesar de estarmos, literalmente, no meio da natureza não se consegue estar sozinho; não senti, em nenhuma das vezes que fiz o percurso, aquela sensação de estar para ali sozinha, totalmente evadida do mundo, não! Os Passadiços são bem bonitos, recomendamos, mas para quem quiser  ter aquela sensação de estar totalmente só, a ouvir os passarinhos e o rio, lá em baixo, a gorgolar, esqueça! Há demasiadas pessoas para sentir isso. Por outro lado, é muito castiço ter tanta gente porque entre quem vem e quem vai (há sempre pessoas nos dois sentidos), é muito engraçado ir trocando impressões e desabafos com quem passa e fala connosco.

Se, por um lado, achamos muito bem que o povo saia à rua  para curtir a natureza, por outro lado,  atenção que a exigência dos Passadiços não é para todos, ainda que todos possam lá ir, realmente, é preciso saber ao que se vai para se tomar as melhores opções.

E, para isso, saibam que: Os Passadiços do Paiva são um percurso ao longo do rio Paiva, blá, blá, blá com 8km de distância (se ainda não ouviram falar, vejam aqui melhor do que falamos). Tanto se pode começar o percurso pelo Areinho como por Espiunca. Depois, o percurso pode fazer-se num só sentido (há táxis nos dois pontos que fazem a ligação Areinho/Espiunca e Espiunca/Areinho), como nos dois sentidos, isto é, indo e voltando, como nós fizemos das duas vezes. A página oficial  dos Passadiços aconselha que, fazendo os 16km, se inicie o percurso por Espiunca. Ora, pois bem, não concordamos nada.

Pelo lado de Espiunca começa-se pelo lado mais fácil, é certo, mas, se não se fizer batota,  depois, por causa do retorno, leva-se com uns 1000 degraus de uma vez só. Porquê? Ora, porque quem começa pelo Areinho, percorrido 1km (fácil) encontra logo a pior parte do percurso: cerca de 500 degraus e que representam a parte mais exigente, muito exigente mesmo, do percurso, mas, depois, só voltamos a ter degraus no regresso, já a terminar a caminhada. Se fizermos ir e voltar pelo lado de Espiunca, por causa do retorno, fazemos quase 1000 degraus de uma enfiada só. Fazendo Areinho - Espiunca - Areinho fazemos os cerca de 1000 degraus na mesma mas de forma repartida.

 

Para quem tenha boa condição física, mas só  quiser fazer o percurso num sentido, na nossa opinião, também é melhor começar pelo Areinho.  

Se não tiver boa condição física, se tiver vertigens ou medo das alturas, se tiver crianças (bebés ou crianças pequenas) o melhor é fazer só num sentido o percurso ou até mesmo metade do percurso. Neste caso, comecem sempre pelo lado de Espiunca ( e nunca pelo Areinho). Começando por Espiunca não vão apanhar as escadas e, caso se sintam cansados, facilmente voltam para trás.  Aliás, para quem tenha limitações mas, ainda assim, queira ir aos Passadiços achamos que, começando em Espiunca, indo até ao Vau (praia fluvial a meio do percurso) e voltando para trás já faz 8 km ( 4km em cada sentido) e já fica com uma boa ideia do que são os Passadiços. Não passarão por todos os pontos de interesse, é certo, mas já vale bem a pena, acreditem, e não põem em causa a vossa segurança. Os Passadiços têm "cabines telefónicas" SOS como nas auto-estradas mas o socorro é difícil de ali chegar, acreditem, por isso, o melhor mesmo é não arriscar.

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Não temos nada a apontar ao facto de se pagar um euro para fazer o percurso. É um preço democrático, lá está. Mas atenção que têm que comprar o bilhete previamente  na internet (não há pontos de venda nos passadiços).

 

Demorámos, mais ou menos, 5 horas a fazer o percurso ida e volta, sem contar com meia horinha na Espiunca para comer a tradicional sandes with a view. A app que usámos para registar o percurso mediu 16,67km de distância, com 725m de subida acumulada, fazendo-se o trilho entre os 117m e os 358m de altitude.

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Embora sendo uma pequena maravilha do homem, na grande maravilha a natureza, os Passadiços merecem-nos as seguintes críticas ou sugestões de melhoria:

 - as casas de banhos que existem no início e no fim do percurso são casas de banho que já existiam nos apoios às praias fluviais e, por isso, são pequenas e claramente em número insuficiente para as enchentes que se tem vivido aos fins de semana, por ali. Da mesma maneira que o problema do estacionamento terá sido resolvido com um parque aberto recentemente (nós, das duas vezes, não tivemos problemas com o estacionamento porque fomos cedo, chegámos lá por volta das 10h, e deixámos no parque  de estacionamento da praia fluvial do Areinho) deveriam ser construídas ou instaladas  casas de banho novas para dar melhor resposta ao número de pessoas que por ali passa aos fins‑de‑semana e no Verão.

 - ao longo do percurso, incompreensivelmente, não há baldes do lixo: ora, é quase certo que todos levam um lanchinho, nem que seja uma maçã ou uma barrita de cereais pelo que caixotes do lixo era uma boa solução para a tentação de se atirar o lixo para o chão; bem sei que caroços e cascas de fruta são biodegradáveis mas, antes disso, são desagradáveis à vista.

 - depois, os degraus do passadiço: seja do cansaço, seja da cor, a determinada altura deixam de se fazer notar, ou seja, há ali uma ilusão de óptica que nos leva, às vezes, a pôr o pé em falso.  Pintar o limite do degrau com uma cor diferente não seria pior, parece-nos, de ponto de vista da segurança. Bonito, às tantas, não vai ficar.

 

Conselhos/cuidados a ter

  • ir cedo - primeiro, por causa da confusão, depois, porque, fazendo sol, aquilo atesta ali que não é brincadeira;
  • protecção solar ( creme, óculos, boné);
  • no inverno, à sombra,  é frio e húmido;
  • levem água ( depois de começar, só aos 4km é que poderão abastecer-se);
  • levem um pequeno lanche ( bem sabemos que, muitos, depois dos Passadiços vão almoçar /jantar um bife a Alvarenga mas acreditem que um lanche vai saber bem e vão precisar)
  • levem roupa e calçado adequado -  saias e salto alto não é o mais aconselhável, acreditem

Conselho final: vão que é bem bonito, mas não passem por ali e pensem: "ah, vamos ali ver como é que aquilo é"; a sério, não façam isso, preparem-se antes e alonguem os gémeos depois. 

Bons trilhos.